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De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a sexualidade é considerada como um aspecto central da vida humana, a qual é vivenciada e expressa em pensamentos, fantasias, desejos, crenças, atitudes, valores, comportamentos, práticas, papéis e relações. A saúde sexual é diretamente afetada pelas relações afetivas e interpessoais, pela qualidade de vida, pela estrutura social e cultural da sociedade, aspectos que interferem no comportamento sexual masculino e feminino.

A falta de desejo para fazer sexo pode indicar o início de um transtorno. Homens e mulheres tem se queixado da falta de desejo, o que pode causar sofrimento e dificuldades interpessoais. O desejo sexual é um fenômeno subjetivo complexo que envolve as fantasias sexuais, os sonhos sexuais, a iniciação do comportamento sexual, a receptividade ao parceiro sexual, as sensações genitais, as respostas aos sinais eróticos no meio ambiente, entre outros fatores.

o Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH) é uma disfunção sexual caracterizada pela deficiência ou a ausência persistente ou recorrente de desejo ou fantasia sexual para a atividade sexual conduzindo a acentuado sofrimento e dificuldades interpessoais. Esta disfunção sexual pode ocorrer tanto em homens quanto em mulheres.

Esta disfunção não surge de uma hora para outra, seu desenvolvimento é gradual e, por isso é preciso estar atenta aos sintomas e procurar ajuda.

O TDSH tem sido muito referido pelas mulheres. Vale destacar que o modelo de resposta sexual feminino proposto por Rosemary Basson (2000) é constituído pelas fases de desejo, excitação, orgasmo e resolução ou relaxamento, com o diferencial de que as respostas femininas resultam mais da necessidade de intimidade, do que propriamente de uma estimulação sexual física.

Há anos um terço das mulheres relatava falta de interesse sexual e quase um quarto delas reclamava não sentir orgasmo. Um pouco menos de 20% tinha dificuldades de lubrificação e mais de 20% achava o sexo desagradável. Inegavelmente trata-se de uma ampla prevalência de queixas sexuais femininas.

Entre as queixas sexuais femininas o que se observa é que 33%, delas diz respeito ao baixo desejo sexual. Em segundo lugar a falta de orgasmo – anorgasmia – com 24% das queixosas, seguido pelas dificuldades de excitação e/ou lubrificação, com 20%, dor vaginal na relação – dispareunia – com 15% e o restante com outras queixas.
A prevalência dos transtornos sexuais femininos é extremamente elevada e, muito provavelmente, superior à prevalência das disfunções sexuais masculinas. No Brasil a falta de desejo sexual mostrou ser a maior queixa sexual feminina. A prevalência do problema é de 23,4% para as mulheres mais jovens e chega a atingir 73,0% entre aquelas de idade mais avançada . Esses números são maiores entre as mulheres brasileiras do que entre as europeias e americanas, nas quais as queixas de pouco desejo sexual variou de 11% a 53% alguns fatores contribuem para o desinteresse sexual.

São eles: Fatores biológicos (desequilíbrios hormonais, medicamentos e seus efeitos colaterais, doenças crônicas, etc); Fatores do desenvolvimento (ausência de educação ou permissão sexual, infância e adolescência marcadas pela privação emocional, física, verbal ou afetiva, trauma ou coerção sexual); Fatores psicológicos (ansiedade, depressão, transtornos de apego e da personalidade); Fatores interpessoais (conflitos, insultos, perdas no relacionamento e incompetência ou disfunção sexual do parceiro); Fatores culturais (questões morais e crenças religiosas ou culturais relativas a conduta sexual apropriada); Fatores contextuais (aspectos ambientais, como privacidade, segurança e conforto).

Segundo pesquisa de 2008, nos casos diagnosticados como Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo as principais queixas sobre o parceiro incluíam poucos carinhos preliminares em 42% dos casos e, em 35%, um visível desinteresse do parceiro. Como se vê, é importante avaliar a compatibilidade conjugal antes de se falar em Disfunção Sexual Feminina, uma vez que a participação masculina pode influenciar fortemente o desejo feminino para o sexo.

As alterações hormonais da menopausa, como a redução da testosterona, hormônio responsável pelo desejo sexual, também resultam na falta de desejo.
Problemas de relacionamento, educação repressora, histórico de abusos sexuais e agressão estão entre os principais fatores causadores do TDSH.

Existem critérios para o diagnóstico segundo o Manual de Doenças Mentais. É muito importante que o diagnostico seja dado pelo medico pois trata-se também de um diagnostico de exclusão, ou seja é importante afastar outras causas.

Critérios do DSM-5 para diagnóstico de Transtorno do Interesse/Excitação Sexual Feminino
A. Ausência ou redução significativa do interesse ou da excitação sexual, manifestada por pelo menos três dos seguintes:

  1. Ausência ou redução do interesse pela atividade sexual.
  2. Ausência ou redução dos pensamentos ou fantasias sexuais/eróticas.
  3. Nenhuma iniciativa ou iniciativa reduzida de atividade sexual e, geralmente, ausência de receptividade às tentativas de iniciativa feitas pelo parceiro.
  4. Ausência ou redução na excitação/prazer sexual durante a atividade sexual em quase todos ou em todos (aproximadamente 75 a 100%) os encontros sexuais (em contextos situacionais identificados ou, se generalizado, em todos os contextos).
  5. Ausência ou redução do interesse/excitação sexual em resposta a quaisquer indicações sexuais ou eróticas, internas ou externas (p. ex., escritas, verbais, visuais).
  6. Ausência ou redução de sensações genitais ou não genitais durante a atividade sexual em quase todos ou em todos (aproximadamente 75 a 100%) os encontros sexuais (em contextos situacionais identificados ou, se generalizado, em todos os contextos).

B. Os sintomas do Critério A persistem por um período mínimo de aproximadamente seis meses.
C. Os sintomas do Critério A causam sofrimento clinicamente significativo para a mulher.
D. A disfunção sexual não é mais bem explicada por um transtorno mental não sexual ou como consequência de uma perturbação grave do relacionamento (p. ex., violência do parceiro) ou de outros estressores importantes e não é atribuível aos efeitos de alguma substância/medicamento ou a outra condição médica.

Determinar o subtipo:
Ao longo da vida: A perturbação esteve presente desde que a mulher se tornou sexualmente ativa. Adquirido: A perturbação iniciou depois de um período de função sexual relativamente normal.

Determinar o subtipo:
Generalizado: Não se limita a determinados tipos de estimulação, situações ou parceiros.
Situacional: Ocorre somente com determinados tipos de estimulação, situações ou parceiros.
Especificar a gravidade atual:
Leve: Evidência de sofrimento leve em relação aos sintomas do Critério A.
Moderada: Evidência de sofrimento moderado em relação aos sintomas do Critério A.
Grave: Evidência de sofrimento grave ou extremo em relação aos sintomas do Critério A

O tratamento é individualizado de acordo com o motivo desencadeador do distúrbio. Pode ser realizado com alguns medicamentos, reposição hormonal, fisioterapia, acompanhamento psicológico, entre outras abordagens.

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